Assentando a poeira

Depois das férias no Brasil, volto para a casa com aquele sentimento de perdi alguma coisa e não sei o quê.

Me irrito fácil com as pessoas daqui. Primeiro, que tô cansada de ouvir outros brasileiros repetirem para mim que o Brasil é ótimo para passar as férias. Sério, vou ser mau educada agora: engulam suas palavras. Eu gosto realmente do Brasil como país, não estou de boa largada na praia curtindo água de coco (adivinhem se eu não tive que consultar o pai dos burros para ver como é que se escreve coco – do coqueiro?) para dar um tempo da minha vida badalada na Europa. Vou para casa curtir minha família, meus amigos e todos os eventuais problemas que isso represente. É certo que não estou trabalhando, não estou estudando e não estou sendo cobrada de nenhuma responsabilidade. Mas todo o mundo ao meu redor está. Ou vocês acham que eu passo um mês no Brasil e enquanto isso todo mundo está de férias comigo? É certo que vou para uma cidade pequena, mas ninguém faz uma parada e é decretado ponto facultativo porque a Maria Helena chegou não. A vida continua, e eu vou acompanhando do jeito que dá aqueles que eu amo. Acho um saco gente que fica me tratando como se eu fosse alienada só porque eu moro no interior – tão bonitinha ela, tão ingênua… – porque eu tô feliz de ter ficado na roça, no Brasil – o pior país do mundo segundo os brasileiros. E antes que algum leitor fique achando que é indireta, eu explico: meus queridos leitores, eu não vos conheço, e vocês não me conhecem. Se alguém achar que eu sou uma alienada, está ok porque eu só estou escrevendo sobre uma parte de mim aqui.

Falando nisso, eu acho que quero morar no Brasil se algum dia eu ficar grávida de novo. Em duas semanas já me tornei o barrigão invisível aos olhos do país super organizado e progressista Suécia. É verdade, eu sou uma pessoa carente que precisa muito de atenção, afirmação e bajulação 24 horas por dia. Meu marido tem que trabalhar então essa bajulação tem que vir de algum outro canto quando ele não está comigo e adivinhem? Meu estoque de “sinta-se o máximo por causa da gravidez” já está quase no fim. Sorte minha que conheço uma sueca louca por crianças (que amou estar grávida e que acha a experiência da maternidade a coisa mais sublime do mundo) e um par de brasileiras porretas que ficam me amaciando via whatsapp e facebook. Eu quero tanto falar sobre fraldas, parto e o carrinho que a gente comprou para o bebê. E a reforma que está quase pronta e aí finalmente vou poder montar o quarto. Mas é só eu adentrar esse assunto que a coisa já muda para a crise na Ucrânia, estupro coletivo de mulheres, o racismo, as eleições para o Parlamento Europeu. Quer saber? Eu também uma vontade enorme de gritar histericamente com essas pessoas. Eu estou grávida apenas por 9 meses. Eu quero compartilhar esse momento – que está sendo tão bacana para mim – falar dos meus medos, dos meus receios e das minhas escolhas. Mas não tem ninguém para escutar porque isso é secundário. O resto é mais importante.

Merda não é. E é por isso que tem tanta gestante achando uma bosta ficar grávida. Você se torna um saco enorme de peidos que vai inflando e inflando – tanto por causa das reviravoltas intestinais como hormonais, somada ao crescimento do bebê – que apesar de tudo é invisível. Eu sei que tem um monte de gente que está tentando desmitificar essa coisa de que “ser mãe é padecer no paraíso” e esse é um movimento importante. Mas porque é que a gente tem que transformar a gestação em uma merda e todo mundo tem que entrar no clube do “ser mãe é um mal necessário”? Eu não me importo de que passem a mão na minha barriga, o corpo é meu mas eu vejo isso como carinho e não invasão. E se alguém vier com algum conselho furado eu vou sorrir e dizer obrigada. Não preciso ficar indignada e já ajuntar cinco pedras na mão “porque as pessoas acham que tem o direito de se meter na minha vida porque estou grávida e não é bem assim”. Não é bem assim mesmo! Por que o mundo se tornou tão ranzinza e ninguém pode curtir um pouco  a vida?

Lá na minha cidade do interior eu fiz isso. Nada de Putin. Nada de grandes conflitos mundiais ou crises sociais. Só a vida mesmo como ela é, e principalmente, a vida que vem crescendo em mim como centro das atenções. Nada mal para uma pessoa carente não acham?

E para mudar o foco um pouco da coisa – mas não muito – eu não me conformo com o gosto da comida  nesse país. Acho que quem mora em cidade grande no Brasil sinta o mesmo que eu – ou não, e as feiras ao ar livre tenham muitas opções de comida boa – mas eu fico triste de tentar fazer comida às vezes. E o pão já me dá nojo e o café também. Pra quem acordava as seis da matina todo dia por causa do cheiro maravilhoso de café recém passado na cozinha, to na miséria do iogurte, suco e algumas frutas – maçãs aqui tem um gosto bom. Feijão e arroz funcionam bem também – viva o feijão nosso de cada dia. Mas saladas, carnes e verduras – em geral tudo que é muito gostoso quando é fresco – tem um gosto estranho. E me desanima. Se ao menos comer não fosse tão importante para mim. E não é só agora que estou grávida, sempre foi; mas comida aqui tem gosto de papel.

Tudo culpa da minha mãe, que é a melhor cozinheira do mundo. Saudades de comida caseira de verdade…

 

 

Contraste

Quando eu visitei a Suécia pela primeira vez tive a forte impressão que o  pessoal do lado de cá não  era rico como todo mundo pensava não. Lembro que coisas como o fato de as mulheres não frequentarem salões de beleza semanalmente (não ostentarem a maquilagem perfeita, nem jóias, nem a escova perfeita) ou de o pessoal não ter, ter, ter e ter e acima de tudo, nem mesmo ostentar, ostentar e ostentar o que eles tinham era sinal de que eu sempre estive enganada a respeito da riqueza dos europeus.

E eu estava realmente enganada. Não a respeito da riqueza deles, mas sim a respeito da cultura.

Obviamente, com a crise, uma série de coisas mudou na Europa e tem muita gente que estava numa situação confortável e agora tem que aprender a rebolar. Já o Brasil vem vivendo a mão contrária, e um monte de gente que estava rebolando muito agora está com dinheirinho a mais para comprar muita coisa: carro, reformar a casa, roupas caras. E tem gente que não vai concordar comigo, a partir de agora no texto, mas eu acho que o brasileiro está mais rico do que o europeu (ao menos na minha região).

O contraste está no fato de que os europeus não tem aquela cultura de ostentação. Eu não conheço ninguém que gaste cerca de duas ou três vezes o salário para comprar cortinas bonitas para a casa na Suécia. Lá de onde eu vim sei de várias pessoas que compram cortinas luxuosas para a casa, pagando em suaves parcelas, para deixar a casa mais bonita. Se na Suécia o conforto e a tecnologia custam caro (sim, eles abrem a carteira para qualquer coisa confortável), no Brasil o que vale é a marca e a moda. E o brasileiro paga mais, reclamando muito mas paga, pelo luxo.

Eu prestei atenção de que lá para as minhas bandas o número de casas de madeira velha que havia nas cidades está sendo substituída gradualmente pelos sobradinhos. E sobradinho é modo de dizer, porque é difícil ver alguém construindo uma “casinha” com menos de 120m quadrados. E quem tinha um carro, agora tem dois ou já trocou desde a última vez.

Como fazia mais de um ano que eu não voltava para casa e tudo o que eu sei a respeito do Brasil eu leio na internet; e como na internet todo mundo reclama, estava com uma imagem de que a coisa estava realmente feia. Mais do que feia, terrível. Pura falta de sacanagem! É gente demais chorando com a teta a três centímetros da boca. Reclamando da violência (o tempo inteiro), reclamando dos preços absurdos dos serviços (e são mesmo absurdos!), reclamando do fato de que a vida está difícil. Parece mesmo difícil. E não, eu não estou sendo irônica. Os salários ficaram mais gordos, mas os preços subiram muito. Um dos motivos é a bolha econômica que a expectativa da Copa e das Olimpíadas trouxe para o Brasil: fazer turismo de uma semana em qualquer canto do país é mais caro do que ir para Cancum, ou mesmo passar uma semana (luxuosa) na Argentina (esquiando).

Pra mim parece óbvio que a violência iria crescer diante desse cenário. Enquanto tem babaca que fica dando no You Tube lição de como se tornar o rei do camarote por uma noite, ainda tem gente que está na outra ponta extrema dessa gangorra e não tem escola (teve um monte de gente compartilhando a reportagem do fantástico né?), não tem casa, não tem comida. Mas isso não acontece muito no sul (ah, nosso sul sempre rico!), a menos que você esteja pensando em grandes cidades – as favelas ainda são uma realidade. Toda uma classe enriqueceu e está ostentando as roupas caras, os carros novos, os sobradinhos, os móveis sob medida, os novos brinquedinhos eletrônicos (no Brasil também tem criança desfilando com Iphone na mão – e olha que o Iphone aí custa mesmo um rim!); enquanto reclama dos 13 milhões de famílias que recebem o Bolsa Família e estão mamando nas tetas do governo.

Brasileiro reclama de barriga cheia. Como diz minha colega blogueira Joana, já sinto as pedras chegando em 3, 2, 1… Mas só para deixar claro (e botar ainda mais lenha na fogueira): eu não tô falando do brasileiro que recebe o Bolsa Família. Esse devia reclamar mesmo, e muito. Eu tô falando do brasileiro classe média que está se sentindo ameaçado pelos “emergentes” e pelos bandidos que esse bando de ativistas sem noção pela causa dos direitos humanos fica defendendo. Eu nunca vi tanta gente egoísta na minha vida como brasileiro que reclama nas redes sociais que o país tá uma bosta, que fica repetindo milhões de clichês sobre a violência, a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Sorte minha que minha família mora numa cidade pequena.

Eu digo sorte porque longe das grandes cidades (e grandes confusões) a vida tem outro ritmo. As pessoas ainda estão mais preocupadas com quem traiu quem, quem engravidou, quem teve criança, quem foi internado por causa de um câncer absurdo que apareceu de uma hora para outra, quem ajuntou, quem separou, quem morreu e do quê e essas fofocas tipo novela das nove. E sabe que é uma delícia falar com a colonada? Porque ao invés de meter o pau na Copa do Mundo o povo fica reclamando é da falta ou do excesso de chuva, do preço do leite (pago ao produtor), de como eles estão se matando de trabalhar em chiqueirão por uma miséria, porque o preço do milho virou e agora… ao mesmo tempo em que todo mundo está feliz da vida porque conseguiu fazer uma reforma ali e outra aqui, porque a soja deu bem, porque está com uma ideia nova de negócio (que às vezes não passa da construção de outro aviário), que vai gastar as calças com o filhx na universidade (morrendo de orgulho).

Eu voltei com a sensação de nunca ter visto o Brasil tão rico. E nunca ter me tocado de tanto luxo que envolve a nossa vida (do lado de lá): talvez porque eu esteja grávida mas… tem coisa melhor do que melancia? E manga então? Frutas em geral que tem gosto de verdade… E nem vou tocar no mérito do churrasco porque, costela gorda e bem assada faz qualquer um feliz demais. E mesmo que a gente nunca tenha dinheiro para nada, fim de semana nunca passa sem uma cervejinha (no meu caso, sem alcool) e uma carninha no fogo. Pra quem mora num país onde a comida tem gosto de papel e conservante, comer comida de verdade é um luxo sim!

O Brasil está mais rico do que nunca. É o brasileiro que continua pobre – e infelizmente, dessa vez a pobreza maior é no espírito. Bem maior do que na carteira…

Algumas verdades sobre a imigração para a Suécia II

No fim do ano eu percebi um tanto quanto feliz que “algumas verdades sobre a imigração para a Suécia” foi o post mais popular do ano de 2013. Não sei se o pessoal acabou acessando o post porque, afinal, parece que todo mundo vem para cá querendo saber como requerer o visto ou se foi curiosidade mesmo. Em todo o caso, convido os leitores que não visitaram o link do primeiro post no ano passado a fazerem e vou deixar com vocês uma versão número dois para o tema.

A questão dos refugiados na Suécia – assim como na Europa inteira – vem dando o que falar. Com a crise na Síria ano passado estima-se que cerca de um milhão de pessoas deixaram o país. A maioria desses refugiados se volta para a Europa. E a Europa vem se fechando para eles. Na Suíça foi feito há pouco um referendo popular consultando a população a respeito da imigração para o país – não só de refugiados mas também – e a população deixou claro que quer que isso acabe.

Assim como os suíços, há muitos suecos preocupados com a questão do impacto que a chegada dos refugiados “em massa” causa para o país. Essa “massa” não é tão grande quanto as notícias querem fazer acreditar e, na verdade, os gastos com esse pessoal não é tão exorbitante. Na minha opinião o problema não é o governo investir em integração e sim como o governo está investindo.

Em todo o caso, há enormes mau-entendidos ao redor de toda essa situação e também uma forte rede de boatos. E aqui na Suécia também existe esse tipo de gente que fica compartilhando qualquer tipo de notícia (principalmente na internet) antes de saber se é verdade. Mas existe esse outro tipo de gente curiosa (como eu) que vai sempre ficar fuçando atrás de estatísticas e essas outras coisas meio bobas.

E fuçando e fuçando encontrei uma lista no site do Migrationsverket (em sueco) sobre os mitos mais comuns sobre imigração (na Suécia). Cada ponto da lista é enorme por isso escolhi alguns deles para compartilhar hoje. Quem sabe num futuro eu compartilhe mais coisas.

“Nenhum país acolhe tantas crianças e adolescentes refugiados como a Suécia”

Sim, é verdade: a Suécia é a campeã no acolhimento de crianças e adolescentes refugiados. (A palavra em sueco é uma só para designar tanto crianças como adolescentes refugiados: ensamkommande  barn). 

A tabela abaixo mostra os cincos países europeus que acolheram o maior número de crianças/adolescentes refugiados durante os anos de 2010-2012;nos quais a Suécia ocupa o primeiro lugar.

A maioria das crianças/adolescentes que procuraram por asilo na Suécia durante esse períodos vieram do Afeganistão e Somália. 93% dos pedidos de asilo (de crianças e adolescentes) que vieram do Afeganistão e 97% dos pedidos de asilo (de crianças e adolescentes) que vieram da Somália foram aprovados.

No total foram concedidos 1 974 vistos de asilo para crianças e adolescentes refugiados na Suécia em 2012, o que representa um percentual de quase 70% dos pedidos (ou seja, mais de 30% dos pedidos foi negado).

2012 2011 2010
Sverige 3 578 Sverige 2 657 Sverige 2 393
Tyskland 2 096 Storbritannien 1 277 Storbritannien 1 364
Belgien 1 001 Belgien 860 Belgien 1 081
Norge 964 Norge 858 Norge 892
Storbritannien* 728 Tyskland 667 Nederländerna 701
Crianças somalianas refugiadas no Quênia.  Fonte: Terra

Crianças somalianas refugiadas no Quênia.
Fonte: Terra

“As crianças/adolescentes que buscam asilo são na verdade adultos…”

A maioria dos jovens que procuram asilo na Suécia é  composta por meninos entre 15 e 17 anos. Nos últimos oito anos tem crescido o número de crianças/adolescentes que pedem asilo de cerca de 300 para 3 578 (2012). E eles vem principalmente do Afeganistão e Somália.

Independente do refugiado ser um jovem ou adulto eles terão que provar porque precisam de asilo. Se ficar comprovado que uma pessoa precisa de proteção a idade não tem qualquer significado.

Entretanto, a idade faz toda a diferença se uma pessoa será exilada. Para que o departamento de imigração possa emitir uma ordem de saída do país é necessário que exista algum responsável pela criança/adolescente em seu país de origem. Isso significa que, ou os pais, ou um parente ou uma instituição social deve acolher essa criança/adolescente. Se isso não for possível a Suécia é obrigada a acolher esse refugiado por conta da impossibilidade de se encontrar outro responsável por ele/ela.

A idade do solicitante também assume significado no caso dessa pessoa ter um registro por ter viajado/estado ilegalmente na Europa. Uma pessoa adulta irá responder ao acordo de Dublin. Para a criança adolescente isso só será possível se ele/ela já houver procurado por asilo em outro país da Europa (com exceção da Grécia).

A idade tem enorme significado na forma de tratamento que as crianças/adolescentes (que esperam pela aprovação do asilo) tem na Suécia. Criança e adolescentes que vêm sozinhas recebem uma outra espécie de apoio, que inclui tutores, abrigos, e convivência com outros adolescentes/crianças (do mesmo país de origem).

É da responsabilidade do solicitante comprovar que sua identidade é verdadeira. E isto pode ser feito por meio de diversas formas de documentos de identidade. Muitas crianças/adolescentes não possuem um documento de identidade oficial porque em seus países não existe um sistema sério de identificação social. Isso significa que muitos deles passam por grandes problemas caso a imigração sueca questione a veracidade dos documentos apresentados.

O responsável pelo caso no departamento de imigração é quem vai analisar se a idade do requerente é verdadeira. Isto pode ser feito por meio de entrevitas ou, em casos extremos, avaliação médica. Esta última não é obrigatória.

Cerca de 5% dos processos em que a idade do requerente é questionada resultam na correção da idade informada. Essa alteração não é judicial e como tanto, não pode ser contestada.

Eu gostaria de acrescentar uma questão: a grande maioria dos adolescentes que procuram asilo na Suécia não estão apenas fugindo da guerra e sim da família e de uma possível condenação a morte. Em 78 países do mundo, assumir-se gay implica uma série de complicações, porque a homossexualidade é tratada como crime. A Somália é um dos mais duro deles (ao lado da Arábia Saudita e mais três países na África) onde assumir-se homossexual leva a pena de morte. E se no Brasil – onde a homossexualidade “não é crime” – homossexuais são espancados, estuprados e assassinados diariamente, o que não imaginar em um país onde esse tipo de prática não é apenas liberada por lei, mas esperada.  Não é a toa que o maior número de adolescentes que buscam refúgio na Suécia são meninos entre 15 e 17 anos.

A Suécia não é vista apenas como um paraíso de igualdade pelos brasileiros, é visto como um paraíso de igualdade por toda a comunidade homossexual do planeta. Apesar disso, a comunidade HBTQ sueca anda muito desapontada com o departamento de imigração. Uma série de homossexuais (tanto adolescentes, quanto adultos) que solicitaram asilo político no país foram enviados de volta ao seu país de origem. Alguns deles caíram em um limbo pois a família não quer aceitá-los de volta (eles são uma vergonha) mas eles tiveram seu retorno a Suécia negado. Crescem o número de organizações não governamentais que apoiam, abrigam e  escondem esses refugiados enquanto lutam na justiça pelo direito de que mais homossexuais recebam asilo na Suécia.

Mas esse tipo de informação não é tão explorada pela mídia quanto os altos custos da imigração para o país. Uma pena. Em um tempo em que quase tudo pode cruzar as fronteiras de qualquer país de forma rápida e rasteira – é só pensar no dinheiro: quanto tempo demora para que uma quantia de dinheiro seja transferida da China para o Brasil? Segundos? – o ser humano ainda tem que ficar preso as fronteiras imaginárias dos países desse mundo que se intitula uma “aldeia”.

E soa tão falso quanta a propaganda da Tim: Viver sem fronteiras. Quem?

Papo furado e surpresa

Como diria a portuguesa mais engraçada que eu conheço, se há um limbo para blogueiras… bom, eu estaria lá. A cada recomeço de semana faço os meus votos de ser uma blogueira melhor mas pá: não respondo coments, não posto nada de novo e as novidades se tornam velhas e well, quem é que quer saber de fofocas velhas?

Continuando os informes do tempo, as temperaturas caíram um tanto no fim de semana, o que me deu um domingo ensolarado e aquela sensação super besta de felicidade só por ver o azul do céu e o sol brilhando. Falando nisso, quem quiser ler um pouco mais sobre os efeitos da escuridão sobre o corpo humano, dê uma passadinho no blog Brasileiras pelo Mundo e confiram o post da Evelyse Eerola que mora na Finlândia – lembrando que, por aqui também estamos na média das 7 horas diárias de luz apenas, com direito a lusco fusco chato e permanente céu cinza em Göteborg onde sempre está nublado. Tivemos temperaturas negativas no domingo, na segunda e em parte do dia de ontem, mas já voltamos aos confortáveis zero graus Celcius e… sem neve – no caso de Göteborg. Bom e mau pois, com o sobe e desce de temperaturas, se neva tudo derrete, fica feio, cinza e lamacento; depois congela de novo e fica escorregadio. Uma delícia!

Mas vamos ao que interessa: o blog alcançou (no domingo) 100 fãs no Facebook e 50 seguidores no WordPress (e está quase nos 100 assinantes por e-mail). Muito obrigada! Como forma de agradecimento eu vou realizar um pequeno sorteio de guloseimas (o chocolate Daim que eu sei que a Dani adora a maioria do pessoal que vem para cá pira o cabeção mais lakrits, que é para os brasileiros poderem experimentar o godis mais controverso do mundo) plus uma caneca para o pessoal que curte a página e os seguidores WordPress no dia 20 de janeiro. Para quem curte a página no Facebook e é expert nas configurações de privacidade mas ainda quer concorrer eu deixo uma dica: deixe uma mensagem na página do Uma Caipira da Suécia até o domingo, pois algumas das configurações de privacidade não permitem que eu veja o seu nome (mesmo que eu acesse lá o registro para ver todos os fãs da página). Posto uma foto do pacote no facebook até o fim de semana (estou meio atrapalhada – sempre!).

Fiquei muito contente por alcançar essa marca. Eu entendo que isso não significa nada em termos da rede (com bilhões de usuários pelo mundo, o que são 100 seguidores? o,ooo1%?) mas eu fico super feliz ao perceber que mesmo que eu escreva sobre coisas simples (não vou mudar o mundo, e às vezes é só um diário pessoal/desabafo) ainda tem gente que curte esse espaço. Obrigada pelo carinho e saibam que isso sempre motiva o blogueiro a continuar!

Se você ainda não curtiu a página ou assinou o blog por e-mail, ainda dá tempo! Segunda eu anuncio o ganhador…

 

Ano novo, e a vida continua…

Eu acho um barato pessoal postando no facebook desejos de ano novo. A virada do ano é uma data muito mágica nesse sentido, acho que ela já vem embalada no espírito do Natal e aí tá todo mundo no gás e acreditando mesmo que o ano novo vai ser diferente. Me deixa meio boba.

Não tenho o costume de fazer listas – acho que sou péssima nisso. Curti muito o ano de 2013: casei, mudei para uma casa, meus pais e irmã vieram me visitar, engravidei. Visitei Portugal (terra linda) e a Grécia (um paraíso). Jamais esquecerei a viagem a Fátima. Consegui por um pezinho no serviço social sueco. Me decepcionei demais procurando emprego e descobri que, definitivamente, não tenho mais saco para estudar. Estou aí, mais gorda e mais saudável do que nunca – ou talvez nem tão saudável, já que a minha preguiça continua a mesma…

E nem tão gorda. Pra minha felicidade, só engordei um quilo (até agora) com a gravidez. Há dias em que estou pronta para comer um boi inteiro, há dias em que simplesmente me apetece apenas líquido e salada. Claro que minha salada não é salada de gente que faz dieta, adoro saladas gordas com tudo o que se tem direito. E macarrão (principalmente espagueti) é meu antidepressivo favorito.

Falando em depressão, percebo que anda super difícil encarar esse inverno. A chuva, o constante cinza do céu deixa tudo extremamente chato. É desanimador. Apesar disso, ando me esbaldando em outros prazeres porque chuva combina com bolinho de chuva, pipoca, filme, dormir muitoo, preguiça e algumas situações bizarras. Por exemplo: chove muito com vento e levar um guarda chuva significa lutar constantemente para que o danado não quebre ou não saia voando por aí (sem falar que a dona cabeça de vento aqui perde tudo que não anda grudado ao corpo). Mas não é preciso entrar em pânico pois na Suécia há ótimos casacos a prova de chuva. O problema é que sempre chove contra a sua cara. Sério: assim que você vira uma esquina, o vento vira contra você. Experimente andar de costas e, voilá, choverá na sua cara também.

Não há o que fazer a não ser rir de si mesmo e da situação ridícula. Apesar do cinzento do céu e dessa escuridão constante, estou reencontrando minha luz com momentos de muita risada. Não há o que fazer, não há como mudar a situação. Vamos rir, não de nervosos, mas sim porque rir é o melhor remédio – até mesmo contra a falta de sol.

Meu desejo de ano novo é cada vez mais valorizar coisas pequenas. Eu acho que faço isso em algum nível já e percebo que a minha maior fonte de felicidade está aí, nessas coisinhas. Conversar e encontrar pessoas por exemplo. Nada de festas espetaculares não, só um olá para bater papo mesmo… Conversas ao telefone que duram uma hora (né dona Teimosa?), fazer pastel de vento (com muito recheio) na companhia de uma mineira boa demais da conta, um cafézinho na cidade com uma carioca… e a minha família pelo skype? Gente, eu amo o cara que inventou o skype! Ele não sabe o que fez pela minha vida!

Muitas vezes a gente perde o foco do dia a dia por causa dos grandes projetos que precisamos concluir. Claro que é importante cursar a faculdade, tirar a carteira de motorista, descolar um emprego. Mas não rolou. Se eu focar nisso, fico triste. Mas para quê? A vida não deixou de acontecer só porque algumas coisas não se concretizaram, e agora eu tenho mais 12 meses fresquinhos para tentar de novo e de novo. E ficar brava e xingar o mundo. Mas tentar… sem perder o foco naquilo que realmente faz a diferença!

Eu me sinto feliz com um dia de sol. Eu fico boba com as cores das árvores e das flores desse país. Eu “tenho” três veados que vem tomar café da manhã no meu quintal quase diariamente. Eu tenho onde morar. Eu nunca precisei tirar algum item do meu carrinho de compras no supermercado por não saber se teria dinheiro até o fim do mês (quer luxo maior?). Eu posso caminhar com minhas próprias pernas. E ver. E ouvir. Eu amo e sou amada. Sou abraçada e beijada todos os dias.  E ainda poderia continuar a lista, mas eu acho que já deu para entender.

É isso que quero desejar para cada um de vocês que tem acompanhado o blog: que nesse ano novo cada um possa perceber o quanto tem (e não apenas pensar no quanto falta) e aprender a ser feliz com as pequenas coisas.

Feliz 2014!

Caipirices no Facebook

Essa semana me mexi, como diz o outro, e entre outras coisas, criei uma página do blog no facebook. Sim, eu que nem sou lá tão simpática assim com a rede do senhor Marquinhos, acabei de criar uma página para o blog! Agora só me falta inspiração para criar um logo decente…

Se quiserem curtir o Uma Caipira na Suécia no facebook, fiquem a vontade!

Não sei bem ao certo como administrar a página, mas nos últimos tempos recebo muitas mensagens no facebook e pedidos de amizade de gente que eu não sei quem é. É certo que nem todo mundo é interessado no blog, mas se é algum leitor tentando contato sempre leva um “adjos” antes mesmo de dizer olá. Com a página vai ser mais fácil entrar em contato, além disso… quem não consegue comentar por aqui, pode fazer por lá.

Falando em comentários, aquela pesquisa mostrou que a maioria dos usuários do blog que votaram querem que eu responda aos coments. Tenho sido desleixada mas, como a voz do povo é a voz de Deus, é assim que vai ser.

Ao menos enquanto não chegar aos 50 coments por post… hahahaha!

A gente se vê no facebook!

Feminismo de meia tigela

Mais uma do facebook: tenho o azar de topar com demagogos o tempo inteiro. Gente que tem o maior discurso para qualquer coisa. E eu entro, fácil fácil. Infelizmente, não para concordar, mas para ser do contra. O Joel diz que nunca conheceu alguém que cai tão fácil nas falácias de propagandas como eu; e é verdade. Por outro lado, nem sempre o discurso massivo me corrompe e eu tenho o azar de, ou melhor, a burrice de me irritar e bater de frente com demagogos facebookianos que encontro por aí. Quando há qualquer idiota discursando sobre o óbvio, lá vou eu bater de frente (sabem, igual aos insetos bestas que ficam batendo de contra luz? Sou eu). Nesse fim de semana descobri, num desses meus rompantes, que não passo de uma analfabeta funcional.

Nem vou entrar no mérito da questão do analfabetismo funcional, eu não teria a audácia de explicar isso e apontar os meus dedos sujos para os demais. Mas, decidi definitivamente que está na hora de eu ser feminista. E como toda boa feminista tem que ser chata, decidi começar a praticar o meu discurso aqui no blog.

Sempre me irrito com gente que fala mal de pobre e mais ainda, gente que fala mal do Bolsa Família. A frase mais repetida do facebook é que os beneficiários do bolsa família são os culpados pela corrupção do Brasil, uma vez que o BF é um programa do PT, e que só no PT é que estão os políticos corruptos do Brasil que usam o programa para continuar no poder – porque afinal, todos os milhões de beneficiários do programa votam no PT. E só no PT.

Obeservação: as colocações do parágrafo acima são um resumo generalizado, é óbvio! Mas o que é um peido para quem tá cagado, não é mesmo?

E o que tem toda essa conversa de Bolsa Família (mais corrupção e PT) a ver com feminismo? Tem a ver que eu acabei de decidir que todo mundo que se diz contra o programa Bolsa Família é MACHISTA.

Porque o programa Bolsa Família é acima de tudo um programa de promoção de mulheres: 90% dos beneficiários do bolsa família são beneficiáriAS, ou seja, mulheres. São as mulheres que são beneficiáriAS do bolsa porque são elas que são os chefes da família depois de serem abandonadas com cinco filhos pelos homens. Assim, não importa muito quem é o homem da casa porque eles vão e vem, mas a mulher sempre fica com as crianças e é por meio dela que o programa atinge a população infato-juvenil miserável do país.

É mais do que certo que o programa tem ajudado a melhorar a qualidade de vida de crianças e adolescentes principalmente porque ele deu aos beneficiados a possibilidade de continuarem na escola. Se a escola tem boa qualidade ou não, essa é uma questão educacional complementar ao programa, uma questão que tem que ser debatida e corrigida por meio das políticas de educação e não por meio da suspensão das políticas de assistência social e transferência de renda.

O livro “Vozes do Bolsa Família” (eu falo sobre ele abaixo) mostra que as beneficiárias sentiram pela primeira vez – por meio do programa – o que significa ter uma fonte de renda regular. Será que eu preciso relembrar que a média do benefício é de R$119 mês por família? Você já se imaginou ficando feliz por causa disso? Pode imaginar qual será que era a situação anterior dessa mulher, qual o grau de miséria, marginalização e submissão ao qual ela vivia para ficar feliz ao receber R$119 mensais? No nordeste – ah, o Nordeste é o prato cheio dos facebookianos preconceituosos, ops! MACHISTAS – o programa tem ajudado a tirar as mulheres da prostituição. Se R$ 119 mensais faz com que as mulheres parem de se prostituir, dá para chegar a conclusão simples de que o que elas ganhavam fazendo programa um mês inteiro era menos do que isso. Sente o drama?

Eu podia encher o meu texto de referências mas é tanta coisa! Ainda assim deixo aqui um texto curto da Carta Capital apenas a modo de tira gosto. Só para ter uma ideia, a cidade de Nova Iorque copiou o modelo do programa. É claro que eles devem ter melhorado a coisa, afinal lá nos EUA tudo é perfeito, mas o meu intuito não é convencer a ninguém de que o programa é perfeito e sim que essa propagação ridícula de preconceito machista no facebook tem que acabar!

E não tem que acabar porque eu quero e sim porque tá na hora de refletir: quando as pessoas compartilham que as beneficiárias do bolsa família são as responsáveis por reeleger candidatos corruptos estão afirmando que mulheres não sabem escolher na hora de votar. Quando o pessoal fica compartilhando que toda beneficiária deveria ter o título de eleitor confiscado está afirmando que as mulheres tem que perder o direito de votar. Quando você fica dando curtir para gente que compartilha que o programa é feito para sustentar vagabundas você está afirmando que mulheres e crianças não precisam ter seus direitos atendidos. Em resumo, você que faz isso é um machista que não quer ver as mulheres independentes e tendo uma vida melhor.

E se você é mulher, vou ser ainda mais cruel e usar todo meu veneno feminista recém adquirido: eu tenho vergonha da sua postura.

Preciso abraçar a minha cunhada por me contaminar com essas ideias feministas.

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Aqui vai uma entrevista com a professora de teoria social da Unicamp, Walquíria Leão Rego que escreveu o livro “Vozes do Bolsa Família”. Note que ela sempre se refere a “elas” e “delas” quando fala do programa, em referência as mulheres que são beneficiárias.

Recomendo também a leitura desse post sobre o livro.

Eu quero muito esse livro.

Facebook

Muita coisa pra falar, pouca organização. Andei fazendo muita coisa… mas precisava usar o espaço para desabafar – como sempre. Então hoje consegui colocar tudo em ordem e lá se vão três posts – não se assuste, isso não vai acontecer sempre.

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Esse mês teve o dia mundial de combate ao suicídio e, como não podia deixar de ser, eu tratei do tema sob o viés da minha opinião furada de analfabeta funcional nesse post aqui. Aliás, recebi um e-mail muito bacana de um Humberto Correia depois de publicar o post, agradecendo o meu empenho da divulgação e discussão do tema (oi?). Claro que me senti mas…

Todo esse papo de depressão, suicídio e doenças psíquicas mexem comigo. Uma, que são do meu interesse afinal, uma vez na minha vida eu já havia sonhado em ser psicóloga. Duas, que eu tive depressão então… né. Enfim, já percebeu o quanto o facebook anda “poluído de gente se sentindo triste”?

Eu fiquei chocada quando o pessoal começou a compartilhar o “humor do dia” por meio daqueles bonequinhos. Tem sempre alguém que aparece no roll da sua página inicial se “sentindo triste”. Uns assim  e outros assim . Sem contar na turma do povo que usa o símbolo para mostrar que está se sentindo desanimado…

E daí né? Não passa de um bando de gente manhosa tentando chamar a atenção. Jura? Bom, pode até ser, no início, porque assim que alguém escreve um “se sentindo triste” ou “desanimado” sempre tem uma Maria curiosa indo lá perguntar: por que fulano? O que aconteceu Zé?

Tá, eu sou daquele tipo que entra no facebook e dá uma rolada na página inicial e depois cai fora. Tenho 300 contatos no facebook – acho que devia ter menos – mas dentro desses 300 contatos percebi que há três pessoas – uma para cada cem – que ao menos uma vez por semana marcam seu status com um “se sentindo triste”. Eu percebo que fica cada vez mais difícil de ver, uma vez que ninguém “curte” um status em que alguém diz que está malecho e menos gente ainda se importa sobre o porquê do cidadão estar fazendo manha – again.

Comentei isso com algumas pessoas e a maioria delas me deu dicas de como excluir o status dos cidadãos tristonhos e desanimados do meu roll da página inicial. Pô, não são meus amigos, afinal, facebook é para você ter contatos e eu entendo que tem gente que usa o “face” só para diversão, então essa coisa do “estar triste” não encaixa bem nos planos. Eu acho que se fossem amigos eu ficaria preocupada, mas como não, eu apenas fico pensativa e com pena, imaginando quantas pessoas eliminaram o sujeito de suas atualizações porque ele sempre está para baixo.

Nem eu gosto de gente que fica o tempo inteiro reclamando, mas mesmo assim não posso deixar de questionar… estou vendo coisas? Vocês também tem contatos gritando no facebook toda semana que estão se sentindo tristes? Quantas dessas pessoas recebem alguma atenção? Quantas delas tem histórico de depressão ou outro transtorno psíquico?

Pesquisa no blog

Essa semana eu postei mais no blog.

Mas… não respondi a nenhum coments que não fosse uma pergunta e também não respondi aos coments atrasados.

Eu gosto de bater um papo. Gosto muito de comentar os comentários do pessoal que segue. O problema é que como eu escrevo o mesmo tanto que eu falo responder aos comentários leva tanto tempo como escrever um post, ainda mais porque eu sempre tenho alguns coments pra responder em vários posts, e eu nem sempre lembro de tudo o que escrevi.

Eu acho que deveria abrir uma página no facebook para o blog mas, ao mesmo tempo, eu tenho quase absoluta certeza de que isso ia acabar meio abandonado – igualzinha a minha conta no twitter. Daí que o principal meio de comunicação entre nós é aqui mesmo e pelo e-mail…

Pensando nisso resolvi deixar uma enquete e tanto quem comenta como quem nunca comenta pode responder.

Isso parece meio besta mas eu acredito que seja importante porque, por exemplo, eu gosto mais de comentar nos blogs das pessoas que eu sei que me respondem. Tem gente que vem deixar um coments aqui, tem gente que responde no próprio blog e tem aqueles que mandam um recadinho rápido por algum outro meio (no face por exemplo); e isso para mim não faz diferença, eu apenas gosto de iniciar uma conversação e saber que a pessoa não me deixou no vácuo. Ainda assim, tem gente que – eu sei – nunca me responde, e mesmo assim eu deixo lá um coments de vez em quando. Nesse caso é porque eu tenho um carinho pelo blog da pessoa, gosto do que ela escreve e quero só dizer: eu continuo lendo! Não pare. É um motivo puramente egoísta, eu sei. É pra satisfazer o meu ego, com certeza, e sei que é também por isso que eu não me sinto tão motivada assim para deixar o coments nos casos em que eu sei que não terei respostas… é pessoal.

Diante disso eu gostaria de conhecer o perfil dos meus leitores (que chique né?): você é o tipo que quer conversa (assim como eu)? Você só quer passar para mostrar “oi Maria, eu tô lendo!”? Você não se importa com nada disso desde que eu responda as eventuais perguntas que você deixar?

É claro que tudo depende também do conteúdo do post. Se alguém escreve sobre balet, por exemplo, eu não tenho ideia do que comentar. “Ai eu acho balet lindo! ” seria uma alternativa, mas… uma coisa dessas não dá para esperar resposta. Eu gosto de contribuir (quando eu comento) com alguma coisa – importante ou não – bem humorada para o autor (do post ou do coments). Mas agora já fugi do assunto, pra variar.

Eu queria deixar a enquete aqui na barra lateral também mas não encontrei a forma de fazer isso. Sei lá… só não funciona. Se alguém sabe como e quiser me dar um help, manda um alô ou deixa umas instruções nos coments?

Obrigada

Preconceito? Imagina…

O país mais acolhedor do mundo é o Brasil.

Só que não.

Na verdade, o Brasil é um país excelente no que se refere a acolher turistas. Tá certo que existem casos e mais casos de turistas que foram roubados e juram nunca mais voltar para o Brasil. Mas isso passa. Morre em questão de dias. Afinal, o Brasil é o país mais simpático do mundo.

Só que não.

Se você não é um turista europeu ou estadunidense, ou melhor, se você não for um turista branco cheio de grana, você será tratado como um turista qualquer. Afinal, pra quem serve um turista se ele não for o cara cheio de grana que vai deixar muito dinheiro no Brasil?

Eu to generalizando, eu sei.

Mas é foda. Sim é foda, não é triste, é foda. É foda abrir o navegador e ver mais gente compartilhando o quanto é que os médicos brasileiros estão sendo mesquinhos e infantis na forma de tratar os médicos cubanos.

Provavelmente, eu não devia meter a colher porque eu nunca trabalhei na área de saúde. E tá certo. Eu nunca trabalhei na área de saúde, mas eu já usei o sistema de saúde brasileiro, tanto o particular como o privado e sabem, não há lá tantas diferenças.

Não me lembro de uma só vez que eu tenha pago uma consulta no Brasil e que eu não tenha esperado para ser atendida. Sempre uma desculpa: é que o “doutor” teve uma chamada de emergência, então, nos desculpe, você não pode ser atendida no horário em que marcou. Ou seja, todo mundo pode esperar pelo médico, todo mundo DEVE esperar pelo médico, no sistema público de saúde ou não, porque ele é o senhor doutor.

Esse é um argumento emocional que não vale de quase nada. É só um choramingo igual a de praticamente duzentos milhões de pessoas que vivem no Brasil. Então passa.

O que eu quero dizer mesmo é que eu sei o quanto é chato você ter que provar para todo mundo que você é qualificado. Sim, porque a situação pela qual os médicos cubanos estão passando no Brasil não é diferente da situação da maioria dos expatriados que estão trabalhando ou tentando trabalhar fora do Brasil, não é diferente da minha situação atual. Mas o quê? Tá chorando de barriga cheia, menina, afinal, tu tá na boa, nos estrangeiro… acabou de voltar da Grécia.

Eu não entendo essa mania, essa merda que incutiram na cabeça do povo, que viver na Europa é bom pra caralhoooo (sim, esse é um post com muitos palavrões, eu sinto falta também de falar palavrão em português), então você tem que ficar apenas feliz e contente de viver na Europa. Se estiverem fudendo com você, se estiverem te tratando com preconceito porque você não tem um diploma europeu, que se dane minha filha, “tu tá nas Europa”.

Isso cansa.

Mas dizer que eu sofro algum tipo de discriminação aqui que eu já não sentisse no Brasil – ou que eu mesmo reproduzisse – é mentira. A exceção do campo de negócios e de tecnologia (que eu acredito sejam mais abertos porque eles querem simplesmente pessoas inteligentes e audaciosas, corajosas); os demais campos de trabalho são extremamente fechados. A gente fica olhando uns e outros com desconfiança, brigando para sermos reconhecidos e para construirmos um status semelhantes aos dos médicos. Exatamente isso, no fundo no fundo, todo mundo gostaria que a sua profissão tivesse o mesmo status quo que a dos senhores de branco.

E por que não? Por que algumas profissões são tão absolutamente invejadas e veneradas enquanto outras, sei lá, ficam como em segundo plano?

Porque somos humanos, e gostamos de nos gavar. A gente sempre quer ter alguém olhando lá de baixo. Se não for a empregada doméstica, tem que ser o mecânico, ou o professor (sim, infelizmente, professor já foi uma categoria profissional com status quo, mas isso foi no tempo das fadas), o gari.

Eu, como assistente social, fico puta da cara se me compararem a um conselheiro tutelar, e fico puta da cara porque minhas palavras e meus relatórios tem menos peso do que os mandatos de um senhor promotor. É um ciclo parecido com o da cadeia alimentar, onde os menores, no mínimo, tem que mostrar respeito aos maiores se quiserem continuar respirando.

Sim, deixemos as nossas máscaras caírem: somos preconceituosos. Brasileiro tem horror a gente negra, porque o símbolo do Brasil é um corpo moreno, não negro; brasileiro tem horror a gente pobre, porque estamos cansados de ser um país de terceiro mundo, então eu quero fugir daqui, sair dessa zona. Brasileiro tem muito mais orgulho do seu sangue branco do que muito alemão nazista. Eu quero viver no glamour europeu porque lá todo mundo tem uma vida boa, porque lá a diferença de classes é menor e não importa se você é formado nisso ou naquilo, a diferença salarial é pequena. Imagina que até mesmo uma faxineira tem uma vida boa lá! Eu ficaria contente de limpar banheiros por um salário assim mas, meu Deus do céu! Eu não vou pagar um absurdo desses para uma “tatinha” cuidar das minhas crianças, ou para uma Dona Maria esfregar o chão em que eu piso. É um absurdo que o governo queira dar privilégios a classe serviçal.

É um absurdo que o sistema de saúde seja poluído de médicos negros que a gente nem sabe se tem qualificação.

Mas essa é outra história não é mesmo?

Não, isso é hipocrisia. E nem é velada, é escancarada: a gente não quer morar no Brasil porque é fora do Brasil que está a vida boa. Só que a sociedade brasileira é um reflexo dos nossos desejos: a gente quer ter acesso a tecnologia como nos países de primeiro mundo, a gente quer ter salários de primeiro mundo, mas a gente quer perpetuar o modelo colonial, em que os senhores de branco, os engravatados, o pessoal que trabalha em escritórios continua tendo a possibilidade de ter seus escravos. E onde todo mundo que não está tão mal na fita assim, e que tem uma profissão intermediária, sonha chegar lá no status quo dos grandões, só para ter seus próprios escravos.

Enquanto isso não acontece, a gente, dessas profissões intermediárias (ou ao menos alguns de nós) não estão nem aí se precisarmos nos comportar como os cachorrinhos dos grandões, seja no Brasil ou aqui na Europa. Afinal, se a gente ficar nas proximidades da mesa, quem sabe nos sobrem algumas migalhas.

É foda ter que ficar provando que você é qualificado. Mas a gente só pensa nisso quando tá queimando na própria pele. E é por isso que me irrita ver o comportamento dos médicos brasileiros.

Eu não sou cachorra não. Nem gostaria de ser, ainda que eu fosse um cachorro de madame. Não quero ser tratada como alguém que veio de um país em desenvolvimento, quero ser tratada como uma pessoa. Acho estupidez, mesquinharia, rabugice e burrice tratar os médicos cubanos como cachorros que vieram pra pegar os restos da mesa dos senhores médicos brasileiros, só porque eles são negros e cubanos.

Sabe o que é mais chato de tudo isso? A Suécia é um país fechado. Suecos tem fama de ser um povo, no máximo, gentil. Gentil, mas frio, fechado, organizado. E são tão organizados que não importa de que lugar do mundo que você veio, se a sua formação não tá dentro dos parâmetros suecos, você pode vir do Reino Unido, não tem choro e nem vela, o jeito é voltar para os bancos universitários e estudar até que esteja no nível que é exigido. Ao menos eu sei que o tratamento que me é dispensado até esse momento não é diferente do tratamento que é dispensado a qualquer outro estrangeiro, vindo ele do primeiro velho mundo ou não. Mas no Brasil…

Bom, pelo menos Brasil é o país mais simpático do mundo. Está de braços abertos como o Cristo Redentor, não é mesmo?

Só que não.

Histórias atrasadas e preguiça

To com preguiça de blogar, dai a falta de posts. Arrumei uma série de coisinhas para fazer, entre elas, to tricotando (eu não estou grávida), passeando, olhando bobeiras na internet (você conhece aquele canal do You Tube “All Time 10s“? E o “FailArmy“? Pois é…)… até mesmo deitar no sofá e ficar olhando o teto enquanto ouço música me dá mais tesão do que sentar na frente do note.

É, o tesão por blogar chegou próximo de zero. E o de ler o körkortsbok está em cerca de -50. Aliás, a cada semana eu prometo que vou fazer o teste na semana que vem, e cada “semana que vem” eu repito a mesma coisa. Minha procrastinação chegou a níveis medonhos. Mas voltei a ler as leis sociais suecas comentadas… ok, uma página por dia é melhor do que nenhuma e, como o livro parece uma bíblia, acho até que faz sentido.

Semana passada assisti Elysium no cinema. Curti. Muito. Mas o filme me deu um sentimento terrível de tristeza. Eu to muito boba. Ou muito esperta, ainda não consegui entender. Em todo o caso, desde que parei de tomar anticoncepcionais to sentindo meu corpo e a montanha russa emocional com uma clareza sinistra. Há coisas muito bobas que me fazem rir muito e me sentir extremamente feliz. O drama é que o contrário também é verdadeiro. Já viu alguém assistir uma ficção científica e ficar triste? Até parece que não faz sentido, mas se eu encontrar o meu tesão de blogar por aí eu escrevo porque o filme me deixou com uma tristeza tão pesada num texto cheio de spoilers da trama. Há, eu sou má.

A propósito, se alguém encontrar o meu tesão de blogar por aí, favor mande um alô que eu mando o endereço para postagem. Grata.

Dentre as palhaçadas que já andei fazendo, não sei como é que não enviei a minha matrícula para o curso de Sueco como Segunda Língua 3 (SAS 3) e o inglês. No fim das contas, tudo bem, eu não tava tão afim assim de estudar, nem um e nem outro. Mas não dá mais para protelar.

To saindo para fazer uma provinha que vai definir em que nível de inglês eu posso começar. Mesmo que eu já saiba a resposta, vai que eu tenha uma surpresa? Sonhei com essa merda a noite e, no meu sonho, a prova tinha hieroglifos.

Desejem-me sorte!

 

Aviso (sutil) aos navegantes

Eu acredito que poucas as pessoas que precisariam ler esse post lerão, em todo o caso, eu sou daquele tipo chato que gosta da máxima: eu avisei…

O blog tem recebido muitas visitas no último mês e eu agradeço muito a vocês leitores queridos que tem gastado um tiquinho da vida aqui nesse cantinho virtual lendo baboseiras. Infelizmente, a fama tem algumas faces ruins e ultimamente, por exemplo, eu tenho deletado alguns comentários chatos. Então eu quero pedir licença aos leitores bacanas desse espaço e antecipadamente: desculpem-me! O puxão de orelhas não é para vocês.

Mas alô pessoas sem noção, homofóbicos e tipo, gente xenofóbica e escrota que vem aqui, por exemplo, xingar os estrangeiros. Só para você espertão, que vem aqui xingar os estrangeiros, se ainda não percebeu, EU sou estrangeira nesse país, e não vou liberar comentário de gente que faz esse tipo de conversa, simplesmente porque eu não concordo com a sua visão limitada de que os estrangeiros são os responsáveis pela crise européia. Por favor, leia ao menos um pouco de história antes de soltar as suas pérolas por aí!

E gente que vem aqui babar o neoliberismo… du, como diriam os suecos, veio parar no lugar errado. A Suécia não é a terra dos sonhos não, mas aqui o buraco é muito mais embaixo e definitivamente esse não é um país de direita. Aqui é necessário pedir licença para tudo e o Estado ainda controla muita coisa. Aqui tem educação pública sim, as escolas são privadas mas pagas por meio do dinheiro recolhido dos impostos. Aqui o Estado ampara o cidadão que não tem condições de viver uma vida digna. E isso não é somente ser esquerda, isso é tomar responsabilidade sobre o bem estar da população, é levar a sério o papel da governança, isso é democracia.

Se você quer um exemplo de país de direita eu te dou, é os USA, e lá quem não tem dinheiro se fode. Aliás, sabia que nos EUA eles fizeram um programa tirando o maior sarro da Suécia, dizendo que os suecos não sabem o que é bom da vida porque eles vivem num país socialista? Bom, é claro que você não sabe. Provavelmente você nem sabe que USA e EUA são o mesmo país, além de outras coisas mais. Se você não acredita em mim, eu vou te contar um segredo: Papai Noel não existe e governo de direita não funciona. Não é democracia, aliás, é industricracia, porque não é um governo para o povo, é um governo que paga pau para as grandes multinacionais. Se você acha que liberalismo econômico traz maior segurança ao cidadão porque a concorrência livre faz com que as empresas tenham que baixar preços, meu filho, tá na hora de você acordar para a vida. Concorrência livre é apenas sinônimo de “nós te enganaremos o quanto quisermos, não tem nenhum Estado de merda nos controlando”. Se fosse tão bom essa coisa de livre concorrência, por que é que o Brasil – um dos países com maior número de celular per capta do mundo (se não o maior) – continua tendo um sistema de telefonia celular arcaico? As empresas que estão lá não são multinacionais? Será que com os milhões que elas ganham não poderiam melhorar o sistema no Brasil? Claro que poderiam, mas a única coisa que elas fazem é “melhorar” o sistema de atendimento ao cliente – isso, aquele mesmo em que você é jogado de telefonista para telefonista, em que ninguém pode resolver o seu problema e que no fim resultará em uma fatura bem gorda que você terá que pagar para não ficar no SCPC.

Eu não sou a dona da verdade, mas esse espaço é meu (meu mesmo, eu pago por ele) e exijo que as pessoas que aqui quiserem se manifestar o façam com respeito. Se você quer deixar um comentário, seja bem vindo tanto para concordar como para discordar mas fique sabendo que se você usar a combinação bolsa família= programa de controle do governo sobre a população ignorante; ou estrangeiro= bando de vagabundos que atrasam a Europa; ou a Suécia aceita a homossexualidade e o aborto= alta taxa de suicídio; ou qualquer outra baboseira, você será deletado. Use de respeito se quiser ser respeitado. Ignorância não é receber uma bolsa do governo, ignorância é achar que você sabe tudo e que sua postura de idiota é aceitável, afinal, não vivemos numa democracia? Só que não é isso não, criatura. Ademais, o princípio democrático não inclui a intolerância e o racismo, homofobia, xenofobia, misógenia e o ódio aos pobres.

Obrigado a todos aqueles que tem acessado ao blog e que tem deixado comentários construtivos, ou perguntas. É muito interessante perceber que tem gente que encontra algo de bom aqui, e que volta, e que participa.

Aos demais, poupem meu tempo e o vosso e, quando quiserem soltar merda, vão até o topo da página, cliquem no X e depois dirijam-se ao banheiro mais próximo.

#prontofalei